
Leila Navarro, coordenadora geral do NEaD
A nossa colega Leila Navarro, coordenadora geral do Núcleo de Educação a Distância da Unigranrio (NEaD), deu entrevista para o Caderno de Educação da Folha Dirigida. A professora Leila falou sobre as principais vantagens das disciplinas semipresenciais, com ênfase em procedimentos que deverão ser observados por professores dessa área. No Brasil, segundo dados do Anuário Brasileiro de Educação a Distância, em 2007, 972.826 estudantes participaram de cursos por instituições credenciadas pelo Sistema de Ensino, nesta modalidade. Nessa quebra de paradigma, observa-se que, somente no período de 2007, o país teve 1.181 cursos a distância, o que representa crescimento de 32,8% em relação ao número de cursos oferecidos em 2006. A tendência é crescer ainda mais nos próximos anos, já que é uma ferramenta que democratiza o ensino, em todos os níveis. Acompanhe, abaixo, a entrevista da professora Leila Navarro.
Folha Dirigida - Quais são as ações realizadas pelo Núcleo de Educação à Distância (EAD) da Unigranrio?
Leila Navarro - Nós estamos preparando um projeto de credenciamento junto ao Ministério da Educação (MEC) para a autorização do curso de graduação em Administração. Nesse momento, não estamos oferecendo nenhum curso completamente a distância, pois ainda não recebemos a autorização.
Acreditamos que em 2010 o sistema já esteja em uso na universidade. O que está em vigor desde o primeiro semestre de 2008 são as disciplinas semipresenciais, inseridas dentro da graduação presencial. Utilizamos tecnologia remota de informação e comunicação, com o apoio da plataforma virtual livre Moodle. Este ambiente é bastante interativo, pois contém chats, fóruns, e conteúdo multimídia. Desde 2005 já vínhamos pesquisando um tipo de plataforma que pudesse apoiar o professor, mas nada era tão elaborado quanto hoje. Seguimos um padrão e uma metodologia.
Como é feita a avaliação dos alunos que têm disciplinas virtuais em sua grade curricular?
Nossos professores preparam todo o conteúdo que será disponibilizado na plataforma. A primeira aula do curso é sempre presencial, para que o estudante entenda como funciona a dinâmica da disciplina. As avaliações finais também são presenciais; não são feitas no computador. De acordo com a complexidade do curso e com a dificuldade do aluno, podemos programar aulas presenciais extras. Cada matéria é dividida em cerca de 20 unidades de aprendizagem, nas quais há atividades pontuadas que servirão para compor a nota final do aluno, juntamente com a avaliação presencial .
Como é a receptividade dos estudantes quando recebem a notícia de que terão que cursar disciplinas online?
Há um mito de que as aulas presenciais são muito melhores do que as virtuais. Temos muito trabalho para construir com o aluno a percepção de que muitas vezes a disciplina virtual tem muito mais conteúdo do que uma tradicional. Há reclamações, sim, pois entendemos que além de ser uma novidade, o aluno está acostumado com o tradicional. É normal que haja resistência, mas procuramos mostrar aos estudantes que este método é incentivado pelo Governo Federal e que, inclusive, as universidades públicas trabalham assim, além de ser um modelo que desenvolverá no aluno habilidades importantes.
Qual deve ser a postura adotada pelo aluno que estuda através de uma plataforma virtual?
É necessário que ele possua uma autodisciplina muito grande e que seja autônomo. O profissional que deseja obter sucesso no mercado de trabalho contemporâneo necessita de autonomia e iniciativa para busca do conhecimento. São essas as principais características que uma disciplina virtual desenvolve no aluno, uma busca independente. O estudante acompanha as aulas de acordo com sua conveniência, não existem impedimentos, barreiras físicas ou horários fixos a serem seguidos.
E o professor que ministra a disciplina, como deve agir?
O professor que media o ambiente virtual de aprendizagem, o professor AVA, precisa assumir uma postura diferente. Ele precisa ter consciência de que, se não está presente fisicamente, precisa ficar mais atento ao aluno. Incentivamos que uma pergunta não pode demorar mais de 24 horas para ser respondida, inclusive nos finais de semana. Muitos alunos só acessam a plataforma aos sábados e domingos, seja porque nem todos têm acesso à banda larga, seja porque não dispõem de tempo nos outros dias. É preciso dar muito suporte a estes estudantes.
Na sua opinião, por que existe todo este preconceito quanto às disciplinas virtuais? De onde vem a idéia de que o ensino a distância é de má qualidade?
O ensino online se desprende do conceito de ensino tradicional que o estudante possui, no qual o professor é o ser superior que irá
transmitir o conhecimento ao aluno. Por sua vez, o aluno é o ser
passivo que recebe tudo sem contestar a supremacia do mestre. A
educação a distância rompe com este paradigma. Atualmente, o indivíduo é agente do próprio conhecimento, alguém participativo. Um aluno escreve uma dúvida no fórum da disciplina, outro dá a sua opinião e, aos poucos, diversas respostas vão surgindo, construindo assim o saber de forma colaborativa. O conhecimento
construído neste espaço é muitas vezes superior ao passivo transmitido nas salas de aula, em um modelo tradicional.
Como a senhora vê o ensino a distância no país? Acredita que possa ser um caminho para aumentar a escolarização da população?
Educação a distância não significa educação de baixa qualidade. É
fundamental que lutemos pela possibilidade de acesso à internet, pois de nada adianta falar sobre educação remota se a população não tem como navegar na rede. O crescimento do número de pessoas com um nível maior de escolaridade é uma das motivações para o Governo Federal incentivar essa política. A educação a distância traz consigo a capacidade de chegar até locais onde não há, sequer, Instituições de Ensino Superior. Sem dúvidas, o modelo veio para ficar e para qualificar melhor a educação.