
Mais de 200 pessoas prestigiaram a palestra, no campus I
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Mosquitos da dengue gostam muito daquilo que nós também adoramos:
sombra e água fresca. Num ecossistema em desequilíbrio, com queimadas, construção de barragens,
implosões, desmatamento, caça predatória e experiências químicas, a invasão da dengue ocorre no
Estado do Rio de Janeiro, e desafia autoridades sobre como vencê-la. A Unigranrio/Caxias promoveu
duas palestras sobre esse assunto, nesta última sexta-feira (dia 18), no auditório dessa
universidade. Mauro Blanco Brandolini, coordenador de Controle de Vetores da Secretaria municipal
de Saúde do Rio de Janeiro (SMS/RJ), e Flávia Barreto dos Santos, cientista do Laboratório
Flavivírus, da Fiocruz, foram os destaques desse encontro. Mauro escolheu o tema "Desafios e
perspectivas no controle do Aedes aegypti em grandes centros urbanos". Mais de 200 acadêmicos, dos
cursos de Medicina Veterinária, medicina, Química, Engenharia, Biologia, Farmácia e de Enfermagem
compareceram ao evento promovido pela Escola de Medicina Veterinária.
Número de mortes chega próximo ao da epidemia de 2002
- A secretaria municipal de Saúde do Rio de Janeiro pode ter
contabilizado, nesta semana, a 90ª vítima fatal da dengue, no estado. Dessas 87 mortes ocorridas,
54 foram no Rio. O número de mortes está próximo ao registrado na pior epidemia, em 2002, quando 92
pessoas morreram. Até o dia 16 de abril de 2008, foram notificados 93.398 casos de dengue, no
Estado do Rio de Janeiro; 58% deles, somente na capital carioca.
Características do mosquito da dengue
- Conforme depoimento de Mauro Brandolini e Flávia Barreto, o Aedes
aegypti é um inseto de hábitos diurnos, localizado nas zonas urbanas. Eles informaram que "apenas
as fêmeas picam os seres humanos, uma vez que necessitam de sangue para amadurecer seus ovos. As
picadas concentram-se na região dos pés, tornozelos e pernas, e acontecem no início da manhã e no
fim de tarde. Esse mosquito, predador minúsculo e silencioso, voa baixo, gosta de calor (entre 24 e
28º graus) e coloca 2 mil ovos (até 200 de uma só vez). A larva vira mosquito em apenas cinco
dias".
A cientista Flávia Barreto falou sobre o agente etiológico e
mostrou estatísticas históricas. O temido vírus do tipo 4 está chegando ao Brasil.
(vírus dengue, estrutura, replicação), manifestações clínicas,
métodos de diagnóstico e alguns dados epidemiológicos da vigilância do dengue no Rio de Janeiro,
desde sua introdução, em 1986. "A dengue possui quatro tipos de vírus, denominados por números, de
1 a 4. Presente em países como a Venezuela, e ainda não disseminado no Brasil, o vírus tipo 4 pode
ocasionar quadros de epidemia, ainda mais graves que o deste ano", informa Flávia. Autoridades do
Ministério da Saúde já estão em regime de alerta, porque a chegada ao Brasil do temido vírus do
tipo 4, é apenas uma questão de tempo. Flávia Barreto e Mauro Brandolini sabem que não há barreiras
sanitárias nas fronteiras, que impeçam as pessoas de ir e vir. Para todos, a única indagação é
quando, e onde, isso ocorrerá.
Repelentes vendidos em farmácia perdem efeito, após quatro horas.
Tela de proteção é alternativa
- Tão logo terminou a palestra, os microfones foram abertos às
perguntas. Um acadêmico foi logo na pergunta do dia-a-dia, indagando sobre o repelente ideal. Mauro
deu ótimas explicações: "Esses comprados em farmácia não fazem efeito, após quatro horas de uso.
Recebemos tantas informações sobre alguns repelentes caseiros, pela internet, mas o povo deve
receber orientação médica, no caso de dúvida". Mauro indica inseticidas feitos à base de água, que
não são tóxicos. "O inseto da dengue tem se tornado bastante resistente aos produtos vendidos em
farmácias. Uma boa recomendação é colocar telas de proteção nas janelas e portas de residências",
ensina.
Carros-Fumacê não resolvem, totalmente, o problema
- Para Mauro, os carros-fumacê não são muito eficientes, já que a
gota tem que acertar o mosquito. "É uma coisa mais paliativa, porque a maioria dos criadouros está
dentro das residências, em lugares de difícil acesso", assegura o especialista da Secretaria de
Saúde do Rio de Janeiro.
Mosquitoeira não foi feita para se controlar mosquito
– Mauro e Flávia criticam mosquitoeira, alternativa de controle da
dengue, patenteada pela UFRJ, porque "será mais um criadouro para a fêmea do mosquito". Mauro prevê
muitos problemas, já que a grande mídia recomenda: "O público é levado a crer que tudo isso dê
resultado, já que foi divulgado na Ana Maria Braga e no Domingão do Faustão. Qualquer pessoa que se
utilizar dessa mosquitoeira poderá ser picada pelo inseto
Aedes aegypti, que pode gerar até 300 outros mosquitos, ao longo do seu ciclo de vida"
, explica Mauro.
A Mosquitoeira é produzida a partir de garrafas
pet,
fita isolante, um pedaço de tecido (véu de noiva), lixa de madeira,
além de grãos de alpiste ou arroz triturados. Esses grãos são colocados dentro de um espaço da
garrafa, com água. A garrafa é cortada em duas partes, na configuração de um copo e um funil, e
lacradas com fita isolante.
Borra de café não é eficiente como dizem
- Mauro revela distorções no uso contínuo da borra de café, no
combate à larva do mosquito da dengue: "As pessoas utilizam essa alternativa, mas apesar de
bloquear o desenvolvimento da larva, essa mistura, que deve ser trocada a cada sete dias, pode ser
mais um criadouro de Aedes", constata.
Cuidados em casa
– Mauro e Flávia dão dicas para que estudantes e familiares combatam
os criadouros do Aedes: "Caixas d'água, cisterna e poços devem conter tampas. Elas podem ser
substituídas por telas. As calhas e ralos precisam ser limpos, constantemente. É necessário trocar
a água de vasos de plantas, ou xaxins, por areia. Fechar as tampas de vasos sanitários, eliminar
peneus velhos, evitar acúmulo de lixo, tratar a água de piscinas com cloro, e retirar água de lajes
são algumas medidas úteis no processo de prevenção".
Alunos fazem perguntas
- Alexandre, acadêmico de Biologia, indagou aos palestrantes: "O
mosquito da dengue é urbano ou ele também é encontrado em regiões da Selva Amazônica?". Mauro
Brandolini vai direto á resposta: "O A
edes aegypti é urbano, enquanto o Aedes albupictus (outro mosquito do gênero) atua em dois
cenários: na cidade e nos limites, entre as matas brasileiras e as grandes cidades". Segundo
esse professor, os dois tipos de mosquito não competem entre si.
Ex-aluna de Biologia, que brilha na Fiocruz, elogia professores da
Unigranrio
- Jaqueline Bastos Santos, ex-aluna de Biologia da Unigranrio,
desenvolve pesquisa, há sete anos, no Laboratório de Flavivírus, na Fiocruz. Seu sonho é fazer
parte dessa instituição: "Desde 2001, atuo nessa atividade, e posso dizer que a Unigranrio foi
importante na minha formação, até porque muitos professores dessa universidade são pesquisadores da
Fiocruz. Por exemplo, o Alexandre Pina, da Escola de Medicina Veterinária, foi meu professor na
Biologia; por isso posso recomendar essa universidade".
Mauro Brandolini explica um pouco mais sobre sua palestra
: "Passei informações de caráter mais abrangente, com ênfase no
histórico do controle do
Aedes aegypti, no Brasil; também sobre a biologia dele, seus criadouros preferenciais; o
grande desafio do Poder Público, além das parcerias com as demais instituições", ressalta Mauro.
Ele pede o apoio de todos nessa luta: "Precisamos dar importância ao engajamento de nossa população
nesse processo, já que, individualmente, não conseguiremos resolver esse grave problema de saúde
pública", conclui Mauro, que possui mestrado em Medicina Veterinária/Parasitologia
Depoimentos, ao final do encontro
– "Achei a iniciativa da Unigranrio excelente. É importante manter
esse debate com alunos, principalmente com esse auditório totalmente repleto de estudantes. Eles
serão multiplicadores de tudo o que falamos aqui, dentro e fora da universidade", elogia Mauro
Brandolini.
Flávia Barreto
– "A participação do público foi excelente. O público foi superior,
até, aos congressos de virologia, que ocorrem com freqüência, em todo o Brasil. Os alunos
perguntaram de tudo e, para nós, valeu a participação de todos, com perguntas importantes. A
Jaqueline, ex-aluna da Unigranrio, é um belo exemplo de profissional, que atua com sucesso em
nossos laboratórios", conclui Flávia.
Medicina Veterinária já prepara novo encontro
- Jairo Dias Barreira, professor de Medicina Veterinária da
Unigranrio, e Irineu Benevides, coordenador do curso de Medicina Veterinária, já estão programando
outra palestra, sobre tema atual, para o próximo mês. Vale a pena esperar e marcar
presença.