
Cerca de 200 acadêmicos aderiram à Campanha
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Alguns alunos ainda pensam que vivem em períodos de
ditadura. Ser pintado, ter o cabelo cortado, ou mesmo ir às ruas pedir dinheiro são alguns péssimos
exemplos, que ainda são utilizados na maioria das universidades brasileiras. A banda podre
instalada nos quatro cantos desse País ainda não aprendeu as lições deixadas na USP, quando
Edison Tsung Chi Hsueh morreu vítima de um trote, ocorrido na piscina
da Universidade de São Paulo (USP), em 23 de fevereiro de 1999.
Solidariedade que jorra nas veias
- Na contramão dessa tragédia, existe uma luz no fim do
túnel, acesa há 10 anos. A campanha
Calouro Sangue-Bom, bandeira levantada por
Adriano Souza Almeida, Bruno Sérgio Mendes Rezende e Alexandro da
Silva Andrade (todos ex-alunos de Farmácia), ecoa no peito de milhares de beneficiados, amplamente
ajudados por doações de sangue. Quem sabe faz a hora e ajuda a salvar vidas, nos principais
hospitais do Rio, graças ao apoio do Hemorio e da Aeronáutica.
Aluno Sangue-Bom
- Neste primeiro semestre de 2008, em apenas dois dias
de campanha, 240 estudantes da Unigranrio trocaram o trote vexatório por aulas de cidadania, no
interior do campus I, em Caxias. Em duas salas de aula, cerca de 200 calouros, veteranos e
populares doaram sangue para o
Aluno Sangue-Bom, nome adotado pelos dirigentes dos DAs e DCE. Acadêmicos dos cursos de
Direito, Enfermagem (Leandro Silva dos Santos), Fisioterapia (Rodrigo Ribeiro Valente Martins),
Informática (Sandro Brito de Oliveira), Biologia (Adriana Matos Oliveira) e Nutrição deram as mãos
e abriram os braços em direção aos que necessitam de ajuda.
Pablo Fiório repete o lema, 10 anos depois
- Segundo Pablo Fiório, presidente do Diretório
Acadêmico de Direito e coordenador do Aluno Sangue-Bom, "nessa atividade de 2008, houve maior apoio
por parte dos professores e coordenadores de ensino. Os alunos foram liberados das aulas e puderam
participar da doação de sangue". A campanha, que já faz parte do calendário de boas-vindas, reflete
um trote social, além de mudança de mentalidade. Para entender como foi o processo, ouvimos alguns
calouros, funcionários e responsáveis pela campanha itinerante do Hemorio.
Funcionária engajada
- Luciana Melo, funcionária da Pró-Reitoria de
Planejamento e Relacionamento Institucional (Proden), aderiu ao chamado do DAD: "Doar sangue é
importante, principalmente após o Carnaval, quando o estoque do banco de sangue do Hemorio fica bem
abaixo da expectativa", diz Luciana.
Rodrigo Brito, acadêmico e funcionário da Unigranrio,
comentou que essa campanha ajuda a unir funcionários, alunos e professores: "Entrei aqui e vi que
não estava só. Conversamos muito sobre como ajudar pessoas necessitadas, doações de alimentos,
entre outras idéias. Essa foi a primeira vez, mas já estou pronto a ajudar em outras ocasiões",
declara Rodrigo.
Visão humanística
- Caroline Gomes é marinheira de primeira viagem, nesse
tipo de trote, porém, seu depoimento abraça outras causas: "Temos que ajudar pessoas que necessitam
de sangue e, por outro lado, vejo necessidade de outros tipos de doação, tal como a de órgãos. Hoje
ajudamos várias pessoas, mas, amanhã, pode acontecer o inverso", ensina.
Hemorio dá nota 10
- Ana Cristina dos Santos, técnica de Enfermagem, do
Hemorio elogia a campanha do DCE: "Nos últimos anos, esta foi mais organizada, com maior
contingência e mais fidelizada. Dou nota máxima pela organização, porque fomos muito bem recebidos
e percebemos que tudo ocorreu como planejamos", conclui Ana.
Funcionária do Hemorio está de olho na Medicina
-Lílian Reis de Souza, do Hemorio, espera voltar no
próximo ano, já como voluntária na doação de sangue, como caloura de Medicina: "A vinda de uma
equipe do Hemorio colabora com aqueles que não têm condições de ir ao Hemorio, no Centro do Rio de
Janeiro. Ficamos muito agradecidos pela dedicação e organização dessa campanha universitária, além
do contato com os voluntários. Em 2009, estarei aqui, na fila dos doadores, na pele de acadêmica de
Medicina", comemora Lílian.
DAD é modelo a ser seguido
– Lílian não poupa elogios, após a brilhante campanha:
"aqui na Unigranrio, vi que os alunos comparecem em massa, o que não ocorre em outras
universidades. Quem quiser promover trote solidário, basta verificar o que foi realizado nestes
dois dias de trabalho", conclui Lílian, do Hemorio.
Campanha calouro Sangue-Bom é reconhecida pelo Conselho Federal de
Farmácia. Ex-universitários da Unigranrio recebem homenagem em São Paulo
O exemplo deixado por ex-acadêmicos do curso de Farmácia da
Unigranrio, em Duque de Caxias, por meio do trote universitário Calouro Sangue-Bom, iniciado em
1988, foi reconhecido com a medalha Ordem do Mérito Farmacêutico Internacional, durante a abertura
do Congresso Internacional Analítica Latin America. Esse megaevento ocorreu no Transamérica Expo
Center, no bairro de Santo Amaro, na capital paulista, em 2007. Os autores dessa Campanha Adriano
Souza Almeida (membro da comissão científica do Congresso Analítica), Bruno Sérgio Mendes Rezende e
Alexandro da Silva Andrade foram condecorados pelo presidente do Conselho Federal de Farmácia,
Jaldo de Souza Santos. José Roberto Lannes Abib, e pelo diretor do Laboratório de Análises Clínicas
da Unigranrio (Laborafe), que representou o reitor da Unigranrio, Arody Cordeiro Herdy.