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Grito de alerta nas águas escuras do Rio Negro! A exposição fotográfica
Nuvens da Amazônia
, do fotógrafo Fred Schiffer, (colaborador da ONG Amazonia.org.br), será inaugurada em 19
de fevereiro, às 18h, na Biblioteca Euclides da Cunha, que funciona na Unigranrio, à Rua Prof. José
de Souza Herdy, 1.160, bairro 25 de Agosto, Duque de Caxias. A mostra, aberta ao público de segunda
a sexta, das 9 às 20h, ocorre em meio à crise envolvendo a ministra Marina Silva, Lula e outras
autoridades, sobre desmatamento.
Fred expõe 24 fotos, tiradas em 2002, durante sua visita a São
Gabriel da Cachoeira, localizada a 850 km de Manaus, na margem esquerda do Rio Negro, junto à
fronteira com a Colômbia e Venezuela.
Essa exposição mostra a beleza do Rio Negro em direção ao Pico Cucuí,
um dos pontos mais altos da floresta, localizado na Venezuela. Nesse povoado, cravado no corredor
de um dos maiores centros exportadores de cocaína, encontra-se o parque nacional, suas várias
reservas indígenas, enorme quantidade de ouro e uma das maiores reservas de minério.
Fred fotografou muito daquilo que é defendido por Marina Silva e uma
constelação de abnegados: índios na canoa, pescadores retornando com peixes, após um dia de
trabalho, alunas contemplando a movimentação do Rio Negro, da porta da escola, pescadores em pleno
porto, recolhendo peixes, entre outras.
Vida difícil
- Como quase tudo que é consumido nessa região sai de Manaus, os
moradores pagam caro pelos produtos industrializados. "Afinal, são 2 horas de vôo ou 5 dias de
barco subindo o rio, até São Gabriel. É uma das poucas regiões da Amazônia brasileira onde há
montanhas, inclusive o Pico da Neblina, o ponto mais alto do Brasil, com 3.014 metros de altura",
relata Fred.
Ele mergulhou fundo na floresta em busca de suas fotos, em meio às
copas de árvores, socós, andorinhas, gaviões, os inseparáveis mosquitos carapan e piun, gralhas,
falcões, igarapés com água limpa e fresca, trilhas incríveis, trechos de subida e decida, população
de índios, falta de energia, corredeiras e paisagem constante de floresta e montanhas.
A paisagem, sempre mutante, também mete medo. As diversas praias e
ilhas que fazem parte do Rio Negro, nos períodos de seca, contrastam com o que se observa no
período das chuvas. Nessa época, o rio sobe nove metros e as bonitas praias desaparecem, abrindo
espaços onde sua largura chega a mais de 10 km. É quase impossível ver a margem oposta. A cor
escura do rio cria mistérios e lendas, sempre contados pelos habitantes ribeirinhos.
Defesa urgente
- Esse é um bom momento para que estudiosos e defensores do meio
ambiente entendam a urgência em defender a Amazônia. Dados do Deter, sistema de detecção de
desmatamento em tempo real, do Inpe, mostram o desmatamento de uma área de 3.235 km² de floresta
amazônica, de agosto a dezembro de 2007. Outra projeção do Deter revela que pelo menos 7 mil km² de
floresta foram destruídos no semestre passado.