
Nélson Furtado mostra os avanços do biodiesel, no Brasil
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Ciclo de palestras foi aberto pelo cientista Nélson Furtado
A Universidade Unigranrio foi escolhida para realizar o primeiro encontro sobre um tema
atualíssimo: o biodiesel. O cientista e pesquisador Nélson Furtado, coordenador do Riobiodiesel,
abriu o ciclo de palestras, no campus I da Unigranrio, em Duque de Caxias, com o objetivo de
propagar o desenvolvimento desse combustível alternativo, na Baixada Fluminense. Durante a palestra
"Biodiesel no Brasil e no mundo", Nélson Furtado fez um relato sobre o desenvolvimento desse
combustível: "O crescimento da oferta de biodiesel no mercado, nos próximos meses, permitirá ao
governo antecipar em três anos, de 2013 para 2010, a meta de adicionar 5% do combustível ao diesel
convencional".
Arody Cordeiro Herdy e Sérgio de Moraes Dias, respectivamente reitor e vice-reitor da
Unigranrio, abriram esse encontro. Berdge Kessedjian, representante da Firjan na Baixada
Fluminense, mostrou os projetos que a prefeitura de Duque de Caxias está implementando, com base no
biodiesel. Marco Antônio Lucidi, reitor do Centro Universitário Estadual da Zona Oeste (UEZO), e
Lara Bezzon, pró-reitora de Planejamento, Desenvolvimento e Relacionamento da Unigranrio marcaram
presença ao seminário.
Atraso — O reitor Arody Herdy abriu o seminário sobre energias alternativas com
uma advertência: "Estamos atrasados na discussão de novas energias, e acho que teremos muitos
momentos como esse, na busca de alternativas de sucesso. A Unigranrio abre suas portas para que
todos possam, democraticamente, colaborar na elaboração de propostas em torno do biodiesel".
Nélson Furtado dá as credenciais do biodiesel, no Brasil — Após discursar para
representantes de empresas, ONGs e secretários municipais, Nélson Furtado mostrou gráficos e
perspectivas que garantirão a mistura à gasolina: "Com o volume a ser ofertado, algo em torno de
700 milhões a 800 milhões de litros, penso que chegaremos à marca de 1,6 milhão de litros em 2007.
Isso é quase o dobro do necessário para garantir a mistura de 2%. Hoje, contabilizamos duas
fábricas de biodiesel, uma em Belém e outra em São Paulo, e, após sete anos, registramos 14
patentes, em todo o Brasil. Ganhamos o prêmio nacional de inovação tecnológica em biodiesel,
conferido pelo presidente Lula, além de cinco teses de doutorado e oito de mestrado.".
Antecipar metas — Nélson Furtado fez questão de esclarecer aos participantes que "
o governo está ampliando as audiências públicas sobre leilões de biodiesel". O país conta com 42
unidades de biodiesel, totalmente habilitadas, em processo de produção. Nélson salientou que,
destes, apenas 20 estão cumprindo as planilhas de produção. "O excesso de biodiesel no mercado
obrigará a ANP a acelerar a transição da mistura de 2% para 5%. Em pouco tempo, chegaremos à
mistura ideal: que o B-5 possa ser antecipado de 2013 para 2010", explicou.
Apesar do esforço do governo, Nélson disse que ainda há uma defasagem no processo produtivo: "
Somente essas unidades de biodiesel garantirão uma produção de 2,063 milhões de metros cúbicos (o
equivalente a 2 bilhões de litros), que estarão à disposição em 2008. Precisamos de muito mais,
porque as demandas são enormes".
Berdge Kessedjian, representante da Firjan, disse que esse seminário "é de suma
importância, porque está catalisando o desenvolvimento de alternativas energéticas para o Estado do
Rio de Janeiro". Berdge confirmou o sucesso dessa primeira reunião, e relatou que "haverá avanço
nesses estudos, sempre com a interferência dessa universidade".
Outros debates — Durante o seminário, foram discutidos outros temas, como: "
Pinhão-manso: da semente ao biodiesel"; "Áreas devolutas e potencialidades da Baixada Fluminense"; "
Experiência no plantio de Pinhão-manso", por Cesare Fea, da Organização de Apoio ao
Desenvolvimento dos Municípios (Orgadem/Queimados); "Projeto Maclaren Rio das Pedras", por Pedro
Gasparello, do Instituto Brasileiro de Agronegócio & Organização (IBAO).
Estaleiro MacLaren (com sede em Niterói) investe US$ 14 milhões na produção de biodiesel,
com pinhão-manso — Pedro Gasparello é engenheiro agrônomo e responsável por esse projeto.
Segundo ele, o estaleiro MacLaren (com sede em Niterói) resolveu investir US$ 14 milhões em um
projeto de produção de biodiesel, só com pinhão-manso. Durante a exibição de um filme no auditório
da Unigranrio, esse engenheiro adiantou que o grupo MacLaren instalará, em 2009, uma usina em Rio
das Flores (RJ), com capacidade de produzir 10,5 milhões de litros anuais. "Essa matéria-prima foi
escolhida por ser a oleaginosa com melhores condições de se adaptar ao solo da região. Será
necessário o cultivo de 5 mil hectares de pinhão-manso para atender à demanda de matéria-prima
dessas usinas".
Após algumas perguntas, ao final de sua palestra, Pedro Gasparello respondeu sobre o alcance
desse projeto em Rio das Flores: "Mais de 300 hectares já foram cultivados pela Maclaren, em uma
fazenda do grupo, porém vamos ampliar essa área para mil hectares. Sabemos que outros 2,5 mil
hectares serão cultivados por agricultores familiares da região, cabendo a produtores de médio e
grande o complemento dessa missão". Gasparello alerta que o pinhão-manso demora dois anos para
começar a dar frutos.