
Diversas autoridades na área da Saúde compareceram ao evento da ABEM
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Nos dias 18 a 21, a Associação Brasileira de Educação Médica (Abem), em parceria com a Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro, promoveu o II Congresso Regional - RJ/ES da Abem, no auditório da UFRJ, na Praia Vermelha. A abertura desse evento ocorreu com a palestra “Duzentos anos de ensino médico no Rio de Janeiro”, ministrada por Aloísio Teixeira, reitor da UFRJ. Representantes do Ministério da Saúde, das secretarias municipal e estadual de Saúde estiveram nessa conferência. O presidente de honra do Congresso, Antônio Ledo Cunha (diretor da Faculdade de Medicina da UFRJ) e Francisco Barbosa (diretor da Abem e da Escola de Medicina da Unigranrio) discursaram durante a instalação do Congresso, que contou com mais de 600 participantes. Alunos de Medicina da Unigranrio foram responsáveis por 30% dos pôsteres apresentados na Abem 2008, e Leila Navarro, responsável pelo Ensino de Educação a Distância (Unigranrio), foi a mediadora da mesa-redonda sobre esse tema.
Temas relevantes - Pesquisadores científicos, gestores e profissionais de saúde discutiram, entre outros, temas como “Vinte Anos de SUS”, “Os 40 Anos da Reforma Universitária de 68”, “Os 12 anos da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional” e “Sete Anos das Diretrizes Curriculares do Curso de Graduação em Medicina”. Diversas instituições universitárias apresentaram painéis, conferências, oficinas e projetos de extensão, durante os três dias do evento.
Francisco Barbosa fez um justo agradecimento aos principais incentivadores desse encontro, em especial aos atuais reitores e diretores da UFRJ, Unirio, UERJ e USP, da Secretaria municipal de Saúde de Niterói, à Anvisa, ao Conselho Regional de Medicina do Espírito Santo, e ao Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado do Rio de Janeiro.
Marcos Jardim, diretor do Instituto de Psicologia da UFRJ, usou o microfone para ressaltar a importância da troca de experiências: “A reunião da Abem é extremamente importante, no momento em que qualquer área do conhecimento tem tantas interpretações de fronteiras. Acho que essa reunião dilui, inclusive, essas separações. A saúde vai desde o aspecto de marketing e contabilidade, até o aspecto lúdico do uso da nanotecnologia”, alerta Marcos Jardim.
A superintendente de Gestão Participativa em Educação (Secretaria municipal de Saúde), Sueli Alves Pinto, representou o secretário estadual de Saúde, Sérgio Cortês: “Gostaria de parabenizar o Francisco Barbosa, principalmente, por sua atuação à frente da Abem, além da UFRJ. A sociedade médica precisa de encontros como esse, que representa o fórum ideal para a busca de e alternativas e soluções na formação de futuros profissionais”, elogia Sueli Alves Pinto.
O subsecretário municipal de Saúde do Rio de Janeiro, Valmir Peçanha, fez um retrospecto da história da medicina, na cidade do Rio de Janeiro: “Apesar de todo o histórico de luta, a cultura médica passou por transformações e, hoje, desemboca no Sistema de Saúde Único de Saúde. As três esferas de poder deveriam tratar a saúde como prioritária, mas isso ainda é um sonho”, critica o subsecretário Valmir.
Ele termina seu discurso com dados relevantes sobre sua Secretaria: “Somos a maior secretaria municipal de Saúde do Brasil, em unidades hospitalares. Temos 5 mil leitos espalhados por 27 hospitais, entre eles o Souza Aguiar, que completou 100 anos. Além deles, contamos com 145 unidades básicas de saúde, e posso afirmar que o nosso objetivo é acabar com essa dicotomia entre a visão assistencialista e a visão coletiva da vigilância”, desafia Valmir Peçanha.
O diretor da Faculdade de medicina da UFRJ, Antônio Ledo Cunha relatou que “Duzentos anos de medicina mostra-nos avanços e retrocessos, num país que tem mais de 500 anos. Na revolução das idéias, num mundo tão complexo, posso dizer que nessa somatória, temos 30 anos de residência médica no Brasil, 30 anos de alma-ata e 20 anos de SUS, uma conquista do povo brasileiro. Precisamos de mais recursos humanos e materiais, mas com os pilares de educação médica e gestão acadêmica conquistaremos muito mais”, conta o diretor da Faculdade de medicina da UFRJ.
O diretor do Hospital Adão Pereira Nunes (Saracuruna), Manoel de Almeida Moreira Filho, é só elogios ao trabalho de acadêmicos da Unigranrio. “Aqui, funcionamos em regime de hospital universitário e, para 2009, deveremos obter autorização do MEC para figurarmos como hospital de ensino, com residência em cirurgia geral, intensivismo e pediatria.”, prevê Manoel. Ele sonha com outro tipo de residência: “Queremos inserir a multidisciplinar, voltada para as áreas de enfermagem, fisioterapia, fonoaudiologia, psicologia e assistência social”.
Hospital Saracuruna conta com 1.200 estagiários da Unigranrio - O Hospital Adão Pereira Nunes, que tem 2.200 funcionários e 1.000 terceirizados, abre cada vez mais espaço para estagiários da Unigranrio: “Temos cerca de 1.200 deles, dos cursos de Medicina e Enfermagem, além de tecnólogos em Radiologia. Agradecemos, e muito, a todos os envolvidos nesse trabalho de equipe. É gratificante poder contar com essa estrutura acadêmica, porque estimula a reciclagem dos profissionais de saúde”, afirma o diretor do Saracuruna.
Hospital Saracuruna ganhou o Prêmio Qualidade Rio/Ciclo 2007, na Categoria Bronze – Ao falar desse prêmio, Manoel de Almeida, destacou as atividades da Unigranrio, nesse cenário: “Posso dizer que a estrutura acadêmica da Unigranrio foi decisiva no Prêmio Qualidade Rio/Ciclo 2007. Os pacientes é que ganham com essa qualidade toda”, elogia o diretor do Saracuruna.
Conheça as principais mesas-redondas e palestras da ABEM 2008
Dia 19/6 (quinta) - A palestra “200 Anos de Ensino Médico: História das Idéias Médicas”, foi apresentada por Moacyr Scliar, membro da Academia Brasileira de Letras (ABL) e professor de Medicina da Faculdade Federal de Ciências Médicas de Porto Alegre.
Outro destaque: para a mesa-redonda com Celmo Celeno Porto (professor da Universidade Federal de Goiás, diretor científico da Sociedade Brasileira de Clínica Médica e principal autor de livros sobre Semiologia), a respeito do tema “Evolução do Ensino da Semiologia”. Marcos Simonetti, professor da Universidade Federal do Espírito Santo, discursou sobre “Desafios e Dificuldades na Área de Medicina”, em parceria com Maria Chiara, professora da UFRJ.
Luiz Fernando Rolim Sampaio (diretor do Departamento da Atenção Básica da Secretaria de Atenção à Saúde, do Ministério da Saúde) debateu com Armando Cipriano (professor da UFF) e Vera Halfoun (professora da UFRJ) o tema “Formação e Atenção Básica em Saúde”. Luiz Fernando Rolim, que trabalha no Programa Saúde da Família (PSF) desde 1994, disse que “há poucas universidades e poucos centros formadores que trabalham com o eixo da atenção básica. Temos que valorizar os profissionais que atuam nesse projeto, já que a maioria dos estudantes faz opção por especializações que rendem melhores salários”. Rolim discorreu sobre problemas resultantes das diversas formas de contratação, praticadas pelo PSF, além de novos recursos para quem vai trabalhar em projetos de interiorização.
Dia 20 (sexta) - Alexandre Kalache (doutor em Saúde Pública pela Universidade de Oxford, na Inglaterra), responsável pelo Programa de Envelhecimento da Organização Mundial de Saúde (OMS), deu palestra sobre Trinta anos de Alma-Ata, sob o título “Envelhecimento Populacional e Prática Médica: Quando o Futuro já se Faz Presente”. Kalache, que completa 30 anos de dedicação à Terceira Idade.
Educação a distância. O público ainda ouviu Alexandra Monteiro, professora da UERJ, sobre o Programa TeleSaúde. Márcia Taboada escolheu o tema “Ambientes Virtuais de Aprendizagem”, cabendo a Miriam Struchiner, professora da UERJ, “Educação a distância em Saúde: limites e perspectivas”. Leila Navarro de Santana, responsável pelo Ensino de Educação a Distância (Unigranrio), foi a mediadora dessa mesa-redonda.
DIA 21 (sábado) – Maria Tereza Aquino, psiquiatra e diretora do Núcleo de Estudos e Pesquisa em Atenção ao Uso de Drogas (Nepad), foi a palestrante deste último dia de Congresso. Ela discorreu sobre “Sexo, Drogas e Rock and Roll”, e buscou junto aos participantes saídas para um dos principais problemas que impulsionam, também, acadêmicos de medicina ao uso de drogas.
Cresce consumo de álcool entre estudantes - Segundo Maria Tereza Aquino, que atua há mais de 18 anos junto ao Nepad, cerca de 8% dos estudantes da rede pública carioca fazem uso de álcool: “Pesquisas da Secretaria Nacional Antidrogas (Senad) apontam que o consumo de álcool entre adolescentes acontece cada vez mais cedo entre estudantes cariocas, principalmente na rede pública. Segundo a Senad, na rede pública, de 10 a 18 anos, 7,6% fazem uso de álcool (20 dias ou mais no mês que precedeu o estudo). O percentual é maior do que a média nacional (6,7%). Contudo, apesar de cerca de 60% dos jovens brasileiros serem abstêmios, 30% dos que bebem ingeriram cinco ou mais doses na mesma ocasião, duas vezes por mês, ou mais, no último ano”, relata Maria Tereza.